sexta-feira, 29 de junho de 2012


"A Puta
Vou dizer-vos uma coisa. É preciso ter muita paciência para ter um blogue. Porque se há gente muito boa e querida e simpática como vocês, que são a maioria, depois há os outros. E se é verdade que são mesmo a minoria, esses outros cansam. Moem. Molestam. Porque são repetitivos. E têm tantos problemas na mona e na vida que fazem dó. Para esses, eu sou sempre e serei sempre... uma puta. Se sou feliz sou uma puta. Se sou infeliz, mais puta sou. Então é assim:
Se eu escrevo que vou de fim-de-semana, sou uma puta porque com esta crise há imensa gente que nem sabe como comer, quanto mais pensar em passar fins-de-semana fora. Se mostro fotos do sítio onde estou sou uma puta, a fazer pirraça a quem tem de ficar enfiado em 20 metros quadrados e cheio de fome. Mas se não mostro, sou uma puta ainda maior, que deve estar num palacete banhado a ouro e que nem tem coragem de mostrar, tal é o luxo nojento. Mas se, pelo contrário, não vou de fim-de-semana e me queixo de ter o dinheiro contado, sou uma puta porque moro no Parque das Nações, tenho os filhos no colégio, e devia ter vergonha por me queixar da falta de cheta quando há gente que, essa sim, não tem um cêntimo na carteira.
Se digo que estou gorda, sou uma puta porque há pessoas que pesam tanto que chegam aos 3 dígitos e estou a humilhá-las ao falar do meu suposto peso a mais. Mas se fico feliz porque emagreci, sou uma puta porque tenho dinheiro para fazer dietas que os outros não têm, e tenho tempo para fazer caminhadas, coisa que os outros, coitados, nunca têm.
Se me queixo dos meus filhos, porque fizeram uma tropelia qualquer e se estou cansada deles e deixo um desabafo, sou uma puta porque há tanta gente a querer engravidar sem conseguir, e eu que tenho filhos nunca por nunca devia queixar-me deles, é uma vergonha. Se os enalteço, vaidosa, sou uma puta que não pára de se gabar, e devia ter vergonha porque há pessoas que têm filhos deficientes que não conseguem sequer sorrir quanto mais fazer as habilidades que os meus fazem.
Se ponho vestidos da Madalena, sou uma puta exibicionista que devia era dar tudo a instituições de solidariedade. Se falo de solidariedade, sou uma puta porque na verdade o que eu quero é mostrar-me boazinha mas não passo de uma megera nojenta, que tem dinheiro para ser solidária, porque o resto das pessoas, coitadas, não têm dinheiro para si, quanto mais para os outros.
Se digo mal de um funcionário, que me atendeu mal, e calha a chamar-lhe burro, sou uma puta que não sabe o que passam os funcionários, uma puta que está a dizer que todos os funcionários desse ramo são burros, uma puta que acha que só porque tem um curso superior é melhor que os outros, devia era virar uma dessas funcionárias para ver o que era bom.
Se me queixo de ter muito trabalho, sou uma puta porque há muita gente no desemprego e eu devia era virar as mãos para o céu e agradecer ao Senhor a oportunidade que me deu. Se digo que houve um mês pior, com menos trabalho, vão dizer que eu sou uma puta, que em vez de estar em casa armada em freelancer devia era estar sentadinha a uma secretária, que assim não me faltava o trabalho, essa é que é essa.
Se digo que baptizei os meus filhos por respeito e amizade à minha sogra, sou uma puta porque com Deus não se brinca. Se decidisse não os baptizar, apesar dos pedidos da sogra, era uma puta das piores, ingrata do caraças, coração de pedra, incapaz de descer do seu pedestal arrogante para fazer alguém feliz.
Se estou doente, e descrevo o mal-estar, sou uma puta que não sabe o que é estar realmente doente, doente à séria, em perigo de vida, com um padre ao lado pronto para a extrema unção. Se me regojizo com a minha saúde, sou uma puta que merece é ficar doente, por estar a vangloriar-se de algo que há tanta gente a não ter.
Eu podia continuar por aí fora. Mas não posso. Tenho de ir trabalhar (ai, que puta, trabalhar? E tanta gente no desemprego...). E daqui a bocado também tenho de ir fazer o almoço para os meus 3 filhos que estão em casa porque têm tosse (tosse? oh, minha puta, tosse não é doença, sabes lá tu o que é estar doente?). Ainda bem que esta gente é a minoria. São vocês, a maioria saudável, que me faz continuar a ter vontade de vir aqui contar algumas aventuras e desventuras da minha vidinha normal (normal? tu és é uma anormal de primeira! E, claro, uma puta!)
* salvo seja!"
(Por Sónia Morais Santos)

domingo, 17 de junho de 2012

A festa... é no Quiproquó!



Escrevi um texto muito longo, mas para poupar fretes e lamechices, vou resumir: a culpa foi da Isa! Ela tinha um cantinho sossegado na blogosfera, onde todas as noites postava um poema de um poeta mais ou menos famoso, que me sabia muito bem ler antes de encerrar o PC. Através dela conheci o blogue da Su e depois o do Vício (na altura, tinha outro nickname!), do Nelson e mais um ou outro, onde ia lendo outros tópicos e comentando – quando conseguia.

Daí até desejar ter um blogue meu... passaram alguns largos meses! Porque sempre adorei ler e escrever, fazia todo o sentido. Experimentei todas as dicas que a Isa me deu (via mail) e, em novembro de 2006, abri este casinhoto, para decidir por outro diferente do blogger. Cantinho ainda mais sossegadinho, onde raramente obtinha comentários. Mas escrevia, que era o que me apetecia... Até que um dia, “apagou”!

Na época, calhou estar com obras em casa – que são sempre um pandemónio – com a livralhada toda espalhada pelo chão, num total de 1128 títulos, já devidamente contabilizados e organizados num ficheiro do computador. Chateada que nem um peru (no Natal), restava o último recurso: mudar de endereço blogosférico, onde, por acaso ou sorte de principiante, encontrei a inicial inscrição no blogger. O que também facilitava comentar nos poucos blogues que conhecia ou fui conhecendo...

O resultado está à vista: no final de junho, já decidira que não existiriam mais mudanças, apesar do anterior ter reaberto, para novamente ficar mudo e quedo durante cerca de um mês, e reabrir sabe-se-lá-quando-e-como! Essa decisão nem foi longamente ponderada, a interatividade que aqui encontrei estava muito, mas muito longe, do capítulo do blogue antecedente. E isso devo à Vani, ao Vício, à Pascoalita, ao Rafeiro Perfumado, à Su, ao Capitão Merda, à Diabba e a todos os outros comentadores que se seguiram (e que já não consigo nomear individualmente, por serem muitos - cerca de 13 mil comentários depois, uma vez que quase metade são respostas minhas), que me incentivaram a continuar a escrever e a aprender com outras vivências e formas de estar. 

Hoje, com a noção de que a blogosfera também reflete o mundo real, com o prazer de ter conhecido pessoalmente alguns outros bloguistas, julgo entender o virtual e o que tem de melhor e pior. E o melhor compensa! Venham mais cinco:
 

Como para “resumo” o texto já vai mais que longo, quero simplesmente agradecer a TODOS a atenção e até o carinho demonstrados nestes 5 anos...

OBRIGADA E BEM HAJAM, AMIGOS!

Imagem da net.
 

sábado, 16 de junho de 2012

Sem ter nada a ver...

... só para verificar se o agendamento funciona, apesar dos erros que o blogger me dá!

Imagem do facebook: um impressionante coliseu grego, transformado em dormitório improvisado!


quinta-feira, 14 de junho de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Wally

Suspense... :)))

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Carta Aberta... de Mário Viegas


Meu Caro Otelo Saraiva de Carvalho, pá!

Espero que esta carta, pá, te vá encontrar bem de saúde, pá, que eu cá vou indo, graças a Deus, pá. A carta é aberta, pois não sei a tua morada, pá. Quem te escreve é aquele Actor de Teatro e Recitador de Poesia, que usa o nome artístico de Mário Viegas. Não sei se estás a ver quem é, pá?! Fui eu, a quem uns amigos teus pediram em 1985 e 1987, para ler dois comunicados teus, pá, no dia 25 de Abril, em frente ao Forte de Caxias, à luz de fogueiras, numa Vigília de Solidariedade para contigo e teus companheiros do caso FP25/FUP, pá. Li ainda, uma carta tua numa grande homenagem ao saudoso e genial Zeca Afonso, em Setúbal. Penso que se me escolheram, foi por conselho teu e porque acharam que eu tinha dotes "dramáticos" para o fazer, pá.
Sabes que não tive um segundo de dúvida e lá estive em Caxias, emocionado, meio às escuras, com polícia por todo o lado, segurança "da malta", etc. Fiquei afónico, pá, para me fazer ouvir, sem microfones e de emoção e sinceridade.
Estavas preso há pouco tempo e como deves calcular, estando o Telejornal presente, fiquei muito marcado por isso e mal-visto em muitos meios do público de direita. Houve mesmo telefonemas ameaçadores para uma sala onde eu fazia um Recital de Poesia, pá. Da fama de "cúmplice" ninguém me safou! Mas fi-lo "pelo coração", como faço tudo em política, pá! Mais! Nos tempos de antena da UDP e do PSR, aceitei participar, só para poder pedir a rápida solução do teu caso, pá. Não sei se te recordas ainda, que te visitei imediatamente no Forte de Caxias, (acompanhado pelo saudoso Actor Amílcar Botica) e várias vezes em Tomar (acompanhado pelo Zé Mário Branco e a Actriz Manuela de Freitas). Não julgas certamente que o fiz, para ganhar publicidade profissional, oportunismo, espionagem, eu sei lá o quê, pá!...
Ao ver-te e ouvir-te numa patética entrevista (repito: PA-TÉ-TI-CA!!!) na RTP-Canal 1, a jogar às cartas, com duas meninas "que fazem gracinhas de salão", fiquei estarrecido!!!
Será o Otelo, ou uma rábula do Herman José, pá?!
- Será possível que só tenhas 210 contos, em teu nome, no Banco?!
- Será possível que não estejas a favor dos "casamentos" entre homossexuais, com o único argumento de "que não gosto... não acho bem, pá?!...
- Será possível que aches que os partidos políticos têm dado cabo da Democracia?! Olha, que nem o Salazar diria melhor, pá!
-Será possível, pá, que sejas contra o serviço voluntário militar (em substituição do obrigatório), porque o Exército se poderia encher de "Skin-Heads"?!
- Será possível, pá, que nunca tenhas dado por homossexuais na tua carreira militar e sejas contra a sua inclusão na vida militar, tal qual como os mais reacionários falcões dos Exércitos de todo o mundo?
- Será possível, pá, que tenhas citado o Maestro Vitorino d'Almeida dizendo que eras "um heterossexual assumido?!" Má piada machista!...
- Será possível que desconheças a luta pela dignificação de centenas de milhares de homens e mulheres , em todo o mundo, neste final de século vinte, pá, principalmente depois do trágico problema da SIDA?
Mas… aqui é que eu gostava de chegar:
- Será possível que tenhas dito que tens amigos no Teatro (citaste: “Cornucópia”, “Comuna” e “Barraca”) e te tenhas esquecido da minha Companhia de Teatro do Chiado, na Sala-Estúdio do S. Luís e que tem como Director Artístico, o “parvo do Mário Viegas”, há 5 anos?!
Há já uns 6 anos, pá, eu te convidei umas duas ou três vezes, para veres um espectáculo giríssimo que encenei no Ritz-Club, “O Regresso de Bucha e Estica”. Estiveste na conversa e nos copos no 1º andar e nunca te dignaste subir para espreitar, pá. Fiquei muito sentido!!
Nunca te deste ao trabalho nestes cinco anos, de ver um dos nossos onze espetáculos e quatro exposições e vários recitais de Poesia. Ou também és daqueles esquerdistas, que acham que só devem ir “de borla e por convite”?!
Eu não fiz mais que a minha obrigação, ao tentar “romanticamente” ajudar-te, dentro dos limites da minha profissão e coragem. Não o fiz para me agradeceres ou dar presentes…
Mas, “Só não se sente, quem não é filho de boa-gente!!” diz o Povo Unido e com razão, pá!
Não te zangues comigo… Não penses que isto é “cabala” deste jornal… Nem venhas agora a correr à Rua António Maria Cardoso… (É uma triste ironia…)
Gostaria de saber, pá, que raio de “intriguistas” é que estiveram por trás do teu silêncio para comigo há uns 6 anos. Tu, que amas tanto o Teatro, pá…
E fico com a imagem do Salgueiro Maia, na minha terra, Santarém, que se cruzou comigo e disse: “Obrigado por tudo o que tens feito pela divulgação da Poesia Portuguesa”.
Confesso que fiquei emocionado e vaidoso. Mas como sabes: “Os Deuses levam sempre primeiro, os Melhores!”
Próxima sexta-feira – CARTA ABERTA AO ARTISTA JORGE SILVA MELO OU OUTRA ESQUERDA DESNECESSÁRIA.

Mário Viegas, Diário Económico, 1995.

quinta-feira, 12 de abril de 2012