segunda-feira, 24 de junho de 2013

Linguarejar

Hoje não se fala português... linguareja-se!
Helena Sacadura Cabral

Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos pretos "afro-americanos", com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado! As criadas dos anos 70 passaram a "empregadas domésticas" e preparam-se agora para receber a menção de "auxiliares de apoio doméstico".

De igual modo, extinguiram-se nas escolas os "contínuos" que passaram todos a "auxiliares da acção educativa" e agora são "assistentes operacionais".

Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por "delegados de informação médica".

E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em "técnicos de vendas".

O aborto eufemizou-se em "interrupção voluntária da gravidez";

Os gangs étnicos são "grupos de jovens";

Os operários fizeram-se de repente "colaboradores";

As fábricas, essas, vistas de dentro são "unidades produtivas" e vistas da estranja são "centros de decisão nacionais".

O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à "iliteracia" galopante. Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes "Conforto" e "Turística".

A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: "Sou mãe solteira..." ; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: "Tenho uma família monoparental..." - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade implante.

Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e "terroristas"; diz-se modernamente que têm um "comportamento disfuncional hiperactivo". Do mesmo modo, e para felicidade dos "encarregados de educação", os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, "crianças de desenvolvimento instável".

Ainda há cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado "invisual". (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o "politicamente correcto" marimba-se para as regras gramaticais...)

As pu*** passaram a ser "senhoras de alterne".

Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em "implementações", "posturas pró-activas", "políticas fracturantes" e outros barbarismos da linguagem. E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a "correcção política" e o novo-riquismo linguístico.

Estamos "tramados" com este 'novo português'; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma 'politicamente correcta'.

2 comentários:

  1. Muito bem visto. Por isso é que gosto da forma de falar do povo, "povão" - gente simples que não andou a "aprender" na escola as novas formas gramaticais de expressão - chamam as coisas pelo que elas são.

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  2. o português tem que ser a nossa bandeira

    um beijinho



    Amor
    Palavra linda
    Palavra simples
    Palavra pequena
    Apenas quatro letras

    Mas quatro letras
    Todas diferentes
    E todas fortes

    Amor tantas palavras
    Tantas vezes usadas
    Tantas vezes lidas
    Tantas vezes gastas

    Palavras que usamos
    E sentimos que o Amor é mesmo
    O único elo
    Que move o mundo
    Que nos rodeia
    Por isso
    Continuamos sempre
    A viver o Amor!

    LILI LARANJO

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