"Que o Ministério Público tem de investigar todos os indícios e pontas soltas de um processo não há dúvidas. O problema - o grave problema - está na forma como o faz. Medina Carreira é apenas a última vítima (conhecida) dos métodos de investigação das nossas polícias, que começam a fazer lembrar os que Edgar Hoover impôs na América quando fundou o FBI. O nome do fiscalista e ex-ministro das Finanças surge numa das "agendas" de remessas de dinheiro dos arguidos do caso e isso obriga a ir verificar. Mas é possível fazê-lo - para chegar à conclusão de que afinal era só um nome de código - sem ser na praça pública. Da forma como foi feito (mais uma vez) só pode ter um propósito muito baixo. Se isto se tem multiplicado em relação a figuras mais ou menos conhecidas da nossa sociedade, imagine-se o que acontecerá a pessoas sem voz ou meios para se defenderem. Já há razões para sentir medo da investigação criminal em Portugal. Qualquer um pode ser envolvido publicamente numa história com a qual nada tem a ver. Por manifesta incapacidade do Ministério Público em gerir a informação. Ou, no pior cenário, por permitir que essa informação seja manipulada e usada para fazer julgamentos sumários. A perceção dantes era de que os poderosos nunca eram investigados. Agora é exatamente a contrária: parece já não existir quem não seja suspeito de um qualquer crime, suspeita que na maioria das vezes nunca se concretiza, permanecendo a dúvida eterna. Não sei o que é pior. Sei é que a descrença nesta justiça e nesta investigação já não devia cair mais. Mas afinal parece que há níveis abaixo do lodo."
Filomena Martins
Parte da crónica no "Diário de Notícias" de 8/12/2012, que pode ser lida na íntegra aqui.
Pois é...
ResponderEliminar?Investiga.se... mas nuca se descobre nada!
Saudações minhas!