O desafio do Rui foi este e, entre outras questões, pedia para dizer quantos atores e atrizes de Hollywood identificávamos. À partida, pareceu-me reconhecer 28, depois 31. Aqui seguem os meus palpites:
1 - Jeff Chandler (canto superior esquerdo);
2 - Norma Shearer, ao lado (palpite da Ematejoca, que não identifiquei);
3 - Joan Crawford;
4 - Gary Cooper;
5 - xxx
6 - Teresa Wright (sem certezas);
7 - Buster Keaton;
8 - Marlon Brando;
9 - Errol Flynn;
Todos na vertical esquerda e de cima para baixo. Seguindo a mesma ordem e partindo da foto ao lado do D de Hollywood:
10 - Vivien Leigh;
11 - Dizem que é James Stewart, mas não acredito;
12 - James Dean;
13 - Tyrone Power;
14 - xxx
15 - Paul Newman;
16 - Prof João Paulo;
17 - Gene Tierney;
18 - Rita Hayworth;
Voltando acima, as manas são garantidas:
19 - Olivia de Havilland;
20 - Joan Fontaine;
(o palpite foi dado antes de rever esta foto, vista em tempos, daí a incerteza!)
21 - James Stewart (oops, será que era à esquerda do ator e não na foto?);
22 - Natalie Wood;
23 - Charlie Chaplin;
24 - Orson Welles;
25 - Elizabeth Taylor;
26 - Montgomery Clift;
Regressando ao topo, outra atriz em que tinha dúvidas era nesta:
27 - Louise Brooks (mas analisando melhor a foto, não restaram!);
28 - Cary Grant (ao lado), embora inicialmente hesitasse se não seria Rock Hudson; (e é Cary e não Gary)
29 - Marlene Dietrich;
30 - Betty Davis;
31 - Ava Gardner;
32 - Donald O'Connor (ai, ai, sem a dica do Rui não me lembrava do nome ator, que publiquei num sketch vídeo já este ano, na sequência de uma visita à exposição do "Riso", no museu da eletricidade);
33 - Marilyn Monroe;
Nos últimos cinco, ficaram duas atrizes por identificar. Recomeçando de cima para baixo:
34 - Clark Gable;
35 - xxx;
36 - Lawrence Olivier;
37 - David Niven;
38 - xxx
Claro que é possível ter-me enganado nas minhas certezas, mas fica para ajudar o Rui na identificação de todas as estrelas de outras eras, que pediu expressamente. (embora não interesse muito para o caso, este blogue serve exclusivamente para experiências, nem tenho feedback dos comentários no mail, daí não responder). Mas publicarei esta lista no meu blogue Quiproquó, na próxima sexta-feira.
Obrigada, Rui: adorei o desafio!
A primeira imagem é do blogue do Rui, "Coisas da Fonte", as restantes da net.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
sábado, 6 de abril de 2013
A melhor anedota da semana
"Eu, ressentido,
- Por que me abandonaste, Senhor?
Ele, escandalizado,
- Nada te chega, miserável? Pois não iluminei o Relvas? O homem não se demitiu?
De súbito, o mal-entendido a céu aberto e o gemido, quase o grito,
- Eu pedi esplendor na relva. Relva! Singular…
E Ele, de tão consternado, esqueceu-se da Sua omnipresença e correu ao Estádio da Luz a inspirar Jesus e benzer as traves."
Anedota publicada no facebook por Júlio Machado Vaz, quinta-feira passada.
- Por que me abandonaste, Senhor?
Ele, escandalizado,
- Nada te chega, miserável? Pois não iluminei o Relvas? O homem não se demitiu?
De súbito, o mal-entendido a céu aberto e o gemido, quase o grito,
- Eu pedi esplendor na relva. Relva! Singular…
E Ele, de tão consternado, esqueceu-se da Sua omnipresença e correu ao Estádio da Luz a inspirar Jesus e benzer as traves."
Anedota publicada no facebook por Júlio Machado Vaz, quinta-feira passada.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Bicas com dicas...
"Bicas, perdão, dicas para fugir à multa
Quando saí do café, o homem, engravatado e educado, abordou-me: "Boa tarde, sou da AT, Autoridade Tributária e Aduaneira..." Eu, que nisto de diálogos com as autoridades tenho muito ano, desviei a conversa: "O senhor desculpe-me, mas como é que AT quer dizer Autoridade Tributária e Aduaneira?" Mas ele, também com muito ano, não atou nem desatou: "Mostre-me a fatura, por favor." E eu: "Fatura, não tenho." Ele: "Mas tem de ter, tomou café." Eu: "Não tomei, não." Ele, que a sabe toda: "O senhor entrou no café e como consumidor final tem de pedir fatura." Eu: "Mas qual consumidor? E final? De onde é que me conhece para me chamar consumidor final?! Entrei no café para aquecer." Ele: "O senhor está a obtemperar..." Eu sabia, ponham uma autoridade tributária a fazer de gnr e ele fica logo a falar como um gnr... Fugi para a frente: "Exijo uma lavagem ao estômago para ver se há cafeína." Olhei para o interior do café e vi as saquetas de publicidade: "E tem de ser Delta! Porque ainda devo ter resíduos do Nespresso que tomei em casa..." O tributário hesitou, guardou o papelinho da contraordenação (é o que eu dizia, é assim que eles chamam à multa) e mandou-me seguir. Fiquei a vê-lo a caçar outro cliente. Este estava tramado, ainda mastigava o croissant... Dali até à esquina, fui pelo passeio sempre a fazer sinais de luzes aos consumidores finais que iam em sentido contrário."
Ferreira Fernandes, in "Diário de Notícias" de 14 de Fevereiro de 2013.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Nem mais!
Em cada esquina um banqueiro
O ideal seria que todos os estabelecimentos comerciais portugueses tivessem "banco" escrito no nome. Nenhum negócio iria à falência, porque o estado acudiria a todos.
Ser dirigente de um banco bem sucedido é bom. Ser dirigente de um banco mal sucedido é ainda melhor. As mercearias falidas não são nacionalizadas e as casas de ferragens com problemas de tesouraria não se recapitalizam com dinheiro do Estado. O problema é das mercearias e das casas de ferragens. Toda a gente já percebeu a diferença entre recapitalizar-se, por um lado, e pedir emprestado porque se vive acima das possibilidades, por outro. O ideal seria que todos os estabelecimentos comerciais portugueses tivessem "banco" escrito no nome. Um talho chamado Banco Carnes de Ouro. Uma mercearia chamada Banco Frutas Idalina. Um restaurante chamado Banco Adega Regional O Botelho. Nenhum negócio iria à falência, porque o Estado acudiria a todos. Se falisse, pagava o País inteiro. Só por falta de visão comercial é que continua a haver empresários que ignoram esta estratégia simples mas vencedora.
O negócio da banca é duro e complexo. Trata-se de comprar dinheiro barato e vendê-lo mais caro. Pensando bem, talvez não seja assim tão complexo. Estamos a falar da comercialização de um produto que toda a gente aprecia. O risco não é muito grande. E, além disso, é um bem que não se estraga. Ninguém diz, ao levantar um cheque: "Olhe, desculpe, estas notas são da semana passada."
Ainda assim, um número bastante elevado de banqueiros consegue reunir a mistura de talento e obstinação necessária para levar muitas destas instituições à completa ruína. Não deve ser fácil.
O jornalista Nicolau Santos fez, há dias, uma lista não exaustiva de banqueiros portugueses envolvidos em escândalos financeiros e consequentes processos judiciais. São cerca de dezena e meia. E acrescentou uma lista de bancos que o Estado português já ajudou, com avultadas injecções de capital. Contando com o BPP e o BPN, são cinco. Num país com a dimensão de Portugal, 15 banqueiros e cinco bancos parece muito. Não sei se é suficiente estabelecer uma regra, mas são números um tanto alarmantes. Qualquer dia, banqueiro detido passa a ser um pleonasmo. Talvez fosse bom remodelar os testes psicotécnicos na admissão de candidatos ao lugar de banqueiro. Aparentemente, saber de finanças não habilita ninguém a gerir instituições financeiras.
Ricardo Araújo Pereira,
na revista "Visão" de 31 de Janeiro de 2013
sábado, 26 de janeiro de 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
BOA RESPOSTA!
Anúncio no
jornal:
Somos um restaurante pequeno e causal no centro da cidade e
estamos à procura de músicos para tocarem de graça no nosso restaurante, podendo
assim promover a sua música e vender os seus CDs. Este não é um emprego diário,
e sim para eventos especiais que eventualmente se tornarão eventos diários
uma vez que a ...resposta do público seja positiva.
Preferimos que
toquem Jazz, Rock, e outros ritmos mais leves, de todo o mundo e de várias
culturas.
Estás interessado em promover o teu trabalho? Então comunique-se
connosco o mais rápido possível.
Resposta de um
Músico:
Feliz Ano Novo! Eu sou um músico, com uma casa grande, à procura
de um dono de restaurante que venha a minha casa promover o seu restaurante
ao fazer comida de graça para mim e meus amigos.
Isto não aconteceria
diariamente, mas a princípio em eventos especiais, os quais poderão
eventualmente crescer e se tornar algo grande e diário, se a resposta for
positiva. Preferimos carne de primeira e refeições exóticas e culturais. Você
está interessado em promover o seu restaurante? Então comunique-se connosco
urgentemente!
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Ceia de Natal
“Depois celebrava-se a ceia, o mais solene banquete da família minhota. Tinham vindo os filhos, as noras, os genros, os netos. Acrescentava-se a mesa. Punha-se a toalha grande. Os talheres de cerimónia, os copos de pé, as velhas garrafas douradas. Acendiam-se mil luzes nos castiçais de prata. As criadas, de roupinhas novas, iam e vinham activamente com as rimas de pratos, contando os talheres, partindo o pão, colocando a fruta, desrolhando as garrafas.
Os que tinham chegado de longe nessa mesma noite davam abraços, recebiam beijos, pediam novidades, contavam histórias, acidentes da viagem; os caminhos estavam uns barrocais medonhos; e falavam da saraivada, da neve, do frio da noite, esfregando as mãos de satisfação por se acharem enxutos, agasalhados, confortados, quentes, na expectativa de uma boa ceia, sentados no velho canapé de família.
E o nordeste assobiava pelas fisgas das janelas; ouvia-se ao longe bramir o mar ou zoar a carvalheira, enquanto da cozinha, onde ardia no lar a grande fogueira, chegava um respiro tépido o aroma do vinho quente fervido com mel, com passas de Alicante e com canela.
Finalmente o bacalhau guisado, como a brandade da Provença, dava a última fervura, as frituras de abóbora-menina, as rabanadas, as orelhas-de-abade tinham saído da frigideira e acabavam de ser empilhadas em pirâmide nas travessas grandes. Uma voz dizia: - Para a mesa! Para a mesa!
Havia o arrastar das cadeiras, o tinir dos copos e dos talheres, o desdobra do guardanapos, o fumegar da terrina. Tomava-se o caldo, bebia-se o primeiro copo de vinho, estava-se ombro com ombro, os pés dos de um lado tocavam nos pés dos que estavam defronte. Bom aconchego! Belo agasalho! As fisionomias tomavam uma expressão de contentamento, de plenitude. Que diabo! Exigir mais, seria pedir muito. Tudo o que há de mais profundo no coração do homem, o amor, a religião, a pátria, a família, estava tudo aí reunido numa doce paz, não opulenta, mas risonhamente remediada e satisfeita. Não é tudo?
Não é. O primeiro dos convivas que tinha o sentimento dessa imperfeição, era a velhinha sentada ao centro da mesa. Ela, que para nós representava apenas a avó, tinha sido também a filha, tinha sido a irmã, tinha sido a esposa, tinha sido a mãe… No seu pobre coração quantos lutos sobrepostos, quantas saudades acumuladas! Por isso, enquanto os outros riam e conversavam alegremente, a mão dela emagrecida e enrugada tremia de comoção ao tocar no copo, e dos seus olhos cansados despregavam-se silenciosamente duas lágrimas, que ela embebia no guardanapo enquanto a sua boca procurava sorrir e titubear palavras de resignação, de conforto, de felicidade.
Essas lágrimas eram como a evocação do espírito dos ausentes e do espírito dos mortos para aquele banquete. A festa era então interrompida por silêncios graves, pensativos, durante cada um se recolhia em si mesmo e olhava um pouco ao passado e um pouco ao futuro.
Dos que se haviam sentado àquela mesa, em idêntica noite, quantos tinham partido para não voltarem mais! Quantas lacunas dentro dos últimos anos! Dentro de alguns anos mais, quantas outras!
Se havia, como quase sempre sucede, um filho, um neto, um irmão ausente, era em volta da recordação dele que se agrupavam e fixavam esses vagos cuidados dispersos. A mágoa do passado, a incerteza do futuro, acabava por aparecer a cada um sob a figura aventurosa do viajante intrépido ou do trabalhador vigoroso que celebrava aquela noite num país longínquo ou nas águas do mar.
E esse amado ausente era o conviva que cada um sentia mais perto, a essa mesa, junto do seu coração.
suficientemente que o louro menino Jesus que nos sorria no seu bercinho, tão descuidado, tão alegre, no meio do esplendor dos círios e do perfume das violetas, era o mesmo Deus Só nós, as crianças, é que gozávamos nesta festa uma alegria imperturbável e perfeita, porque não tínhamos a compreensão amarga da saudade nem as preocupações do futuro. Para nós tudo na vida tinha o carácter imutável e eterno. O destino aparecia-nos ridentemente fixado, como no musgo as alegres figuras do presépio. Supúnhamos que seriam eternamente lisas as faces de nossa mãe, eternamente negro o bigode de nosso pai, eternamente resignada e compadecida a decrépita figura de nossa avó, toucada nas suas rendas pretas, no fundo da grande poltrona.
Não tínhamos compreendido ainda todo o sentido do Natal. Não nos haviam explicado descarnado e lívido, coroado de espinhos, alanceado no coração, pregado na cruz e exposto no altar. Repugnar-nos-ia acreditar, se então no-lo dissessem, que o terno e suave bambino de presépio, cercado de amores, de cânticos, de festas, de dádivas, de bonitos, cheio de carícias e de beijos, teria um dia de ser um mártir, um herói, um Deus, mas que para isso haveriam de o perseguir como um rebelde, de o torturar como um criminoso, de o justiçar como um bandido, que ele teria de ser esbofeteado, azorragado, traído, que receberia o beijo de Judas, que seria preso entre os seus discípulos no jardim das Oliveiras, qua mandaria embainhar a espada de Pedro para beber o cálice da amargura, que seria levado de Caifás para Pilatos, que seria condenado, que lhe poriam a coroa de espinhos, que o fariam subir o Calvário sob o peso da cruz, que finalmente o crucificariam entre os dois ladrões aos olhos da sua própria mãe.
Não, a vida não é uma festa permanente e imóvel, é uma evolução constante e rude. O Natal é a festa das lágrimas para todos aqueles para quem ele não é a festa da inexperiência. E todavia pensavam alguns que era útil não deixar de a celebrar. Que importa que o número ou que o nome dos convivas varie em cada ano? Que importa que alguns amados velhos faltem ao banquete? Que importa que nós mesmos faltemos para o ano que vem na festa dos mais novos?
Esta noite de alegria para as crianças será sempre de alguma saudade para os adultos. Assim teremos a esperança terna de sobreviver, por algum tempo, na lembrança dos que amamos – uma boa vez ao menos – de ano a ano.”
(Ramalho Ortigão - As Farpas – Vol. I - O Natal minhoto pág. 71)
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